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Sbrojavacca
SBROJAVACCA, Elena. Letteratura assoluta. Le opere e il pensiero di Roberto Calasso. Milano: Feltrinelli, 2021.
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Calasso publicou pela Adelphi, além dos volumes da Opera, as coletâneas de ensaios La letteratura e gli dèi (2001), La follia che viene dalle Ninfe (2005), L'impronta dell'editore (2013) e Come ordinare una biblioteca (2020), bem como uma seleção de suas orelhas de livro intitulada Cento lettere a uno sconosciuto (2003).
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A Opera de Calasso — objeto desta pesquisa — tem início em 1983 com La rovina di Kasch e conta hoje com onze volumes: Ka (1996), K. (2002), Il rosa Tiepolo (2006), La Folie Baudelaire (2008), L'ardore (2010), Il Cacciatore Celeste (2016), L'innominabile attuale (2017), Il libro di tutti i libri (2019) e La Tavoletta dei Destini (2020)
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As publicações de Calasso receberam apreciações de Guido Ceronetti, Giorgio Manganelli e Salman Rushdie, entre outros, mas não foram objeto de atenção particular por parte da crítica acadêmica — os estudos monográficos dedicados à Opera são poucos e incompletos
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Esta pesquisa é um mapeamento, o mais exaustivo possível, da vasta messe de textos que Calasso indicou como partes de uma única Opera, na convicção de que apenas um olhar de conjunto possa fazer justiça à densa interconexão de temas, personagens e ideias que caracteriza seus volumes.
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Foi adotada uma abordagem sincrônica, sem perder de vista os casos em que determinada ideia teve desenvolvimentos significativos no tempo ou se modificou de um livro a outro
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O objetivo é iluminar as nervuras da Opera calassiana cobertas por uma densa folhagem ou ocultadas por outros materiais
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Desde seus primeiros escritos, o pensamento de Calasso se exprime com um movimento centrífugo capaz de manter ao mesmo tempo um sólido núcleo interno do qual todas as impulsos partem — algo que se pode ilustrar com a fórmula que o próprio Calasso enunciou em 1969 no ensaio sobre Nietzsche.
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Calasso escreveu: “aquele pensamento único que é próprio somente dos grandes pensadores — os outros têm muitos pensamentos”
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Essa declaração de amor pelo “pensamento único” — que se manifesta sob muitas formas mas permanece fiel a si mesmo — reflete a fascinação de Calasso pelas obsessões e pelas imagens assombrosas que agitam a psique de tantos artistas por ele amados
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O forte núcleo em torno do qual gravitam os onze volumes corresponde a uma precisa ideia de literatura — e a escrita de Calasso é guiada pela confiança nas infinitas possibilidades que a literatura como experiência total oferece a quem a pratica.
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Calasso busca narrar os modos e os tempos em que a literatura revelou uma ambição abrangente, uma vontade de se ocupar de qualquer coisa; em seus escritos não podia deixar de falar de tudo, na convicção de que não existe assunto do qual não seja possível fazer literatura
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A vastidão da matéria tratada — que percorre os mais diversos campos do saber — e uma escrita que avança por analogias e intuições não apresentam ao leitor um percurso unitário imediatamente reconhecível
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A primeira das quatro partes desta pesquisa busca dar conta do vínculo entre os onze volumes, lendo a Opera como um afresco da passagem da multiforme modernidade ao ainda mais indefinível mundo contemporâneo — icasticamente definido por Calasso como “inominável atual”.
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As reflexões sobre essa “era da inconsistência” adquirem sentido mais profundo quando aproximadas às reflexões sobre o papel que, nesse cenário metamórfico, assume a literatura
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As coletâneas de artigos e ensaios breves se revelam instrumentos utilíssimos para uma visão de conjunto e ajudam a compreender o ideal literário que Calasso constrói — ao qual ele mesmo deu o nome de “literatura absoluta”
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Para circunscrever esse conceito tão escorregadio, é necessário percorrer o volume de ensaios La letteratura e gli dèi, que Calasso dedica inteiramente à delineação de suas características
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A Opera se apresenta como um verdadeiro leque de formas, em que corte ensaístico e narrativo, citação erudita e invenção romanesca se entrelaçam num conjunto não atribuível a nenhum gênero literário determinado
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Os repertórios de imagens que Calasso seleciona cuidadosamente como aparato de seus volumes estão longe de ter valor puramente ornamental — contribuem tanto quanto o próprio texto para a construção de sentido da Opera
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A relação de Calasso com suas fontes e sua singular abordagem à história e à historiografia também são examinadas nessa primeira parte
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A segunda parte é dedicada ao macrotema da mente — um dos mais recorrentes na Opera — com o objetivo de identificar, na vasta rede de motivos e pesquisas que Calasso tece sobre o assunto, alguns nós cruciais como o mistério do conhecimento e a consciência.
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A investigação sobre Édipo e a Esfinge ilumina convicções de Calasso sobre a natureza simulativa do conhecimento humano: o sujeito de qualquer processo cognoscitivo se apoia em suas representações parciais da realidade, iludindo-se de poder abraçá-la em sua totalidade
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Um capítulo importante analisa as modalidades com que a mente explora e interpreta o mundo — o dualismo entre analógico e digital, um dos eixos de toda a construção calassiana
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O aprofundamento sobre os modos do conhecimento conduz a uma reflexão sobre o mito e seus significados na Opera
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A terceira parte aborda o grande tema do sacrifício — primeiro seguindo o fio das reflexões de Calasso sobre as metamorfoses do sagrado no mundo moderno e contemporâneo, depois examinando as razões desse interesse pelos ritos e alguns dos muitos significados que o sacrifício pode assumir.
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Das considerações de Calasso sobre esse gesto litúrgico específico se podem extrair elementos centrais de sua estética: existe para ele um vínculo muito estreito entre o abandono dos ritos e a fisionomia da literatura moderna
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A última parte propõe uma interpretação global da complexa arquitetura da Opera, tomando como ponto de partida o ensaio de 1992 La follia che viene dalle Ninfe — centrado nos temas da possessão e da manía divina — e explorando os significados de duas imagens recorrentes nos livros de Calasso: a floresta e a serpente.
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A floresta e a serpente parecem exprimir com igual intensidade algumas características da literatura absoluta
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A componente religiosa que distingue a ideia de literatura absoluta em Calasso é uma religiosidade sem nada de confessional — trata-se antes de uma profissão de fidelidade a uma ideia altíssima do estilo.
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Calasso nutre a convicção de que a literatura é uma forma suprema de conhecimento, um valor, um espaço mental de comunhão e compartilhamento com algo que nos pertence mas ao mesmo tempo nos ultrapassa
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Nessa convicção residem o sentido profundo da Opera de Calasso e o fascínio que ela exerce sobre o leitor
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