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Deus
FRYE, Northrop. Fearful symmetry: a study of William Blake. Princeton, N.J: Princeton Univ. Press, 1990.
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Este livro apresenta o ato físico como mera transferência de percepção entre os sentidos corporais diante da tentativa de refutação filosófica.
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Realização da tentativa de refutação por Samuel Johnson ao chutar uma pedra, o que apenas transferiu a percepção do objeto para outro sentido.
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Sobrevivência provável do sentimento de Samuel Johnson de que a pedra existia independentemente de seu pé, mesmo diante da menção de tal fato.
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Argumentação de Berkeley de que existe uma realidade nas coisas independente da percepção humana, e de que, sendo toda a realidade mental, ela deve ser uma ideia na mente de Deus.
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Constatação de uma lacuna no pensamento de Berkeley decorrente da separação e da mudança repentina entre Deus e o homem.
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Indicação por Blake de uma forma de fechar a lacuna ao postular um mundo da imaginação superior ao dos sentidos, identificando Deus com a imaginação humana.
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Transcrição da afirmação de Blake de que o homem é toda imaginação e de que Deus é o homem que existe em nós e nós Nele.
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Transcrição do pensamento de Blake de que o corpo eterno do homem é a imaginação, que é o próprio Deus, manifestando-se em suas obras de arte onde tudo é visão na eternidade.
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Identificação mútua entre Deus e o homem por meio dos atos criativos e das percepções, transformando o culto a Deus em autodesenvolvimento.
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Desatar do nó sobre os dois mundos da percepção, sendo o mundo terreno o do sujeito e dos objetos, e o mundo da imaginação o de criadores e criaturas.
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Expressão da atividade criativa de Deus por meio da atividade criativa do artista, contendo-se todos os criadores no Criador assim como todos os homens estão contidos em Deus.
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A doutrina de Deus esclarece a normalidade suprema do visionário em relação aos seus contemporâneos.
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Definição de homem são e saudável como normal devido à superioridade em relação ao louco e ao aleijado, por serem mais verdadeiramente eles mesmos.
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Caracterização do visionário como normalidade suprema frente à maioria dos contemporâneos que se encontram em estado privativo.
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Reconhecimento do visionário como mais homem do que os outros devido aos seus sucessos humanos e não pelas fraquezas.
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Expressão por parte do visionário de algo latente em todos os homens, os quais só conseguem ver Deus ao vê-lo encontrado no visionário.
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Constatação de que ninguém nasce sem imaginação exceto os natimortos, sendo a redução da imaginação uma negação da própria humanidade e da divindade.
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Tendência de a maioria voltar as costas para o gênio que age e percebe grandiosamente, embora retenham o poder de entrar em parentesco com ele.
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Transcrição da máxima de Blake de que o culto a Deus consiste em honrar Seus dons em outros homens, cada um segundo seu gênio, e amar mais os maiores homens, sendo o ódio aos grandes homens um ódio a Deus.
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A identidade entre Deus e o homem sofre a interferência da tendência humana à autorrestrição.
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Constatação de que o homem não é totalmente Deus, embora Deus seja a perfeição do homem, existindo aí a justificativa para a própria ideia de Deus.
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Rejeição da variedade infinita dos homens como argumento contra a unidade de Deus.
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Caracterização de ideias como humanidade e gênero humano como meras generalizações, demonstrando a falácia de uma árvore generalizada pelo fato de uma belota produzir apenas um carvalho particular.
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Inclusão da unidade da espécie no termo forma utilizado por Blake.
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Transcrição dos versos de Blake sobre o carvalho cortado pelo machado e o cordeiro que cai pela faca, enquanto suas formas eternas existem para sempre.
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Definição de Deus não apenas como o gênio, mas como o gênero do homem, a essência da qual procedem as identidades particulares.
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Transcrição da nota de Blake sobre Swedenborg afirmando que a essência não é a identidade, mas da essência procede a identidade, de modo que de uma única essência podem proceder muitas identidades.
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Crítica de Blake a uma tendência ao panteísmo que ele percebia em Swedenborg, sob o argumento de que se a essência fosse igual à identidade o céu seria apenas um relógio.
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Dependência da realidade do perceptor em relação à sua vinculação com a percepção universal de Deus, assim como o objeto percebido depende de sua relação com uma imaginação unificada.
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Caracterização da percepção como universal e do objeto percebido como particular em cada ato criativo, sendo Deus o único Criador e Perceiver.
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Reiteração do princípio inverso de que a percepção egocêntrica torna o objeto percebido geral.
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Existência de dois modos de vida, sendo o ego comparado aos homens na caverna de Platão que brincam com sombras, enquanto perceber o particular e imaginar o real integra o indivíduo a um corpo divino.
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Analogia com uma mão ou um olho que perdem a individualidade e tornam-se mortos e inúteis quando separados do corpo.
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Natureza construtiva e comunicável da imaginação em oposição ao caráter circular e estéril da memória.
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Identificação da percepção universal do particular com a imagem divina nas Canções de Inocência, e da percepção egocêntrica do geral com o abstrato humano nas Canções de Experiência.
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A inexistência de uma percepção direta de Deus decorre do princípio de que a verdadeira percepção é um ato de criação.
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Fundamentação na impossibilidade de criar a Deus, de modo que o homem percebe como Deus e não percebe a Deus.
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Reconhecimento do aspecto divino nos grandes homens por meio da própria divindade que habita no observador.
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Impossibilidade de existir algo superior ao homem devido à limitação de não se perceber nada acima da forma humana.
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Demonstração do princípio pela impossibilidade de o artista pintar a Deus exceto como homem, resultando em um velho enfraquecido apenas quando se reproduzem ideias senis e epicenas da divindade.
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Inexistência de uma forma de vida superior à humana e rejeição de atributos divinos que não sejam humanos na aceitação de Jesus como plenitude de Deus e do homem.
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Transcrição da nota de Blake afirmando que o homem não pode ter ideia de nada maior que o homem, assim como um copo não pode conter mais que sua capacidade, sendo Deus um homem por ser o criador do homem e não por ser assim percebido.
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Antecipação da negação desses postulados por parte daqueles educados em ideias abstratas.
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O desprendimento da ideia de proporção em relação à realidade concreta ocorre por meio da forma matemática.
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Vinculação das proporções de uma coisa real à sua forma viva.
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Definição de forma matemática como uma simetria generalizada sem referência a objetos percebidos.
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Importância da forma matemática para pensadores abstratos que buscam compreender o poder criativo de Deus através da ideia abstrata de desígnio.
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Desejo recorrente de crer que um padrão simples ou uma fórmula matemática subjaz às complicações do universo, tratado por essa linha de pensamento como algo complicado em vez de complexo.
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Início da tendência com os padrões da aritmética simples e dos números cardinais de Pitágoras, seguida pela tentativa do Timeu de deduzir os fenômenos a partir de formas geométricas consideradas apropriadas.
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Disseminação da tendência em direção ao ocultismo e à especulação com a elaboração do universo ptolemaico.
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Caracterização do fazer de padrões no pensamento como um estágio intermediário entre a magia e a ciência que se estende de Pitágoras até o Renascimento.
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Similaridade psicológica entre magia e ciência baseada na tentativa de manipular as leis da natureza para os propósitos humanos.
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Paródia na obra de Blake de toda a tradição pitagórica do Timeu aos dias contemporâneos, por sua aliança psicológica com a magia e a ciência.
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Rejeição de Blake em relação à matemática mística da cidade do céu.
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Transcrição da crítica de Blake apontando que os deuses da Grécia e do Egito eram diagramas matemáticos visíveis nas obras de Platão.
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Atração frequente de ocultistas pela obra de Blake, apesar de suas críticas ao pensamento geométrico abstrato.
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Presença de princípios matemáticos inerentes às coisas reais e à unidade da própria obra de arte.
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Distinção de Blake entre a arte da forma matemática, como a arquitetura grega baseada na simetria generalizada, e a arte da forma viva, como a arquitetura gótica que subordina essa simetria.
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Dependência do arco e da agulha góticos em relação aos princípios matemáticos para evitar o colapso.
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Caracterização do Apocalipse na Bíblia como obra de arte imaginativa que faz uso simbólico do número sete para sua unidade como poema, sem indicar um aspecto septuplo das coisas em geral.
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Explicação dos números recorrentes e diagramas em Blake estritamente em função de seus contextos nos poemas, sem afinidade com o misticismo matemático.
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O desenvolvimento do universo copernicano substituiu o sistema ptolemaico e gerou novos métodos para conceber um Deus impessoal e abstrato.
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Direcionamento do ataque de Blake contra as concepções abstratas modernas que servem de base para o seu tratamento de Newton.
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Estímulo provocado pelo tamanho do universo copernicano para atribuir a criação a uma força mecânica impessoal.
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Caracterização dos seguidores desse Deus como homens de força ou astúcia em detrimento da inteligência ou imaginação.
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Surgimento tardio das manifestações extremas dessa religião com a adição do tempo geológico, gerando divindades como a vontade imanente descrita na obra de Hardy, Os Dinastas.
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Percepção profética de Blake sobre as teologias assombradas por dinossauros através da criação de Urizen, o deus do espaço vazio e da vontade cega.
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Classificação da visão de Deus como vontade imanente na categoria de superstição.
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Rejeição tanto do Deus benevolente tradicional do Juízo Final quanto da postura daqueles que aceitam essa força negativamente através da negação como adoração correta.
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Paralelo entre o adorador da vontade imanente e o proponente das ideias abstratas de Locke, por estenderem automatismos involuntários à totalidade do universo por meio de denominadores comuns.
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Redução da vida a um limite mínimo como o protoplasma na tentativa de encontrar uma força vital comum a homens, cães e árvores.
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Queda da vontade imanente abaixo da força vital para abranger todas as formas de movimento em uma generalização ainda mais ampla devido à dificuldade de traçar a fronteira do vivente.
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Necessidade de buscar a imagem da vida universal no homem por ser o ser mais vivo dentre as criaturas.
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Inexistência de uma força vital separada das coisas que a possuem, sendo a vida universal a totalidade dos seres vivos e dotando Deus de inteligência, julgamento, propósito e desejo.
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Adição da tirania do tempo e da vontade à tirania do espaço e da razão pelo universo darwinista, sugerindo uma energia generalizada abstrata.
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Transcrição da afirmação de Blake de que nenhuma onipotência pode agir contra a ordem.
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Alinhamento presumível de Blake com Butler e Shaw na defesa de que as alterações em um organismo decorrem do desenvolvimento da imaginação do próprio ser, caso tivesse vivido um século mais tarde.
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Uso da persistência da vida por Blake como argumento da estabilidade da vida no mundo, originando-se apenas da vida e implicando na primazia da energia criativa sobre a destrutiva.
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Subordinação do poder de destruição e da ironia da vontade imanente ao poder de incubação.
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Significado dos termos forma e imagem em Blake como a persistência de uma espécie através do tempo.
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Transcrição do pensamento de Blake de que o carvalho morre assim como a alface, mas sua imagem eterna e individualidade nunca morrem, renovando-se pela semente.
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Transcrição da frase de Blake afirmando que cada coisa é sua própria causa e seu próprio efeito, excluindo causalidades externas ao processo orgânico.
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Atribuição dos acidentes ao colapso dos esquemas humanos e não a um plano divino superior, dependendo o seu significado do que a mente humana realiza com eles.
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Familiaridade de Blake com o culto à força vital no primitivismo do século dezoito que postulava a natureza como o corpo da vida do qual o homem brotou.
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Rejeição de Blake ao conceito de bom selvagem e ao culto do homem natural, manifestada em ataques a Rousseau em Jerusalém.
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Caracterização da civilização como algo sobrenatural que evoluiu da superioridade do homem sobre a natureza, tendo a cidade como símbolo central da imaginação.
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Transcrição da afirmação de Blake de que onde o homem não está a natureza é estéril.
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Definição do homem como o ser mais desajustado à natureza, superando os animais pelo triunfo da imaginação que desenvolve e conquista em vez de apenas sobreviver e se ajustar.
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A impossibilidade de conceber o sobre-humano aplica-se tanto ao desígnio e ao poder quanto à ideia de um Deus perfeito.
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Definição de perfeição como o pleno desenvolvimento da imaginação, em conformidade com o ensinamento de Jesus sobre ser perfeito.
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Tendência de pensadores abstratos de situar a perfeição na completude com que uma qualidade é isolada, resultando em um Deus de pura bondade.
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Inferioridade de um Deus de pura bondade em relação a uma criação humana como Falstaff, a quem jamais seria capaz de criar.
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Dissolução da ideia de perfeição pura em termos negativos como infinito, escrutável e incompreensível.
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Transcrição dos versos de Blake sobre Deus aparecer como luz para as almas que habitam na noite, mas exibir uma forma humana para aqueles que habitam nos reinos do dia.
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Crítica ao truísmo de que Deus não se move porque a alteração diminuiria sua perfeição, o que impossibilita um Deus criador.
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Conciliação do Deus Elohim do primeiro capítulo do Gênesis com uma causa primeira filosófica, caracterizado como um Deus de ordem inconsciente e automática que instituiu luminares para o calendário ritual e descansou no sábado.
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Proximidade do Deus Jeová do segundo capítulo do Gênesis em relação à figura de um pai descrita por Jesus, figurando como uma divindade severa mas bondosa que expulsa os filhos do jardim após fazer roupas para eles.
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Superioridade do lugar de Jeová no simbolismo de Blake em comparação com a causa primeira.
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Dificuldade de conceber o sobre-humano mesmo em termos de inteligência e imaginação devido à ausência de percepção de algo superior ao homem.
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Redução da natureza humana sempre que se tenta imaginar algo acima dela, assemelhando-se os deuses sem sangue aos gafanhotos.
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Classificação de capacidades como voar ou conversar por intuição como diferenças de atributos e não de substância.
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Inexistência na obra de Blake de personagens qualitativamente superiores ao homem, rejeitando conceitos como a cadeia do ser, éons, emanações gnósticas ou inteligências angelicais presas à necessidade.
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Interpretação dos termos anjo ou espírito em Blake, quando não irônicos, como a imaginação funcionando sob a forma de inspiração.
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Transcrição da nota de Blake indicando que a propensão principal de cada homem deve ser chamada de sua virtude principal e seu bom anjo.
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Transcrição do relato de Blake sobre a ditadura de seus versos, onde abandonou a cadência monótona inicial ao perceber que a inspiração não lhe dava escolha externa.
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Transcrição da afirmação de Blake de que os espíritos são homens organizados, submetendo-se o espírito do profeta ao próprio profeta conforme o ensinamento de Paulo.
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Possibilidade de o espírito ser a imaginação desimpedida do mundo físico através do processo da morte.
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Necessidade de a imaginação existir como forma corporal, sendo o corpo físico apenas o aspecto visível da alma para os que compartilham o mesmo plano.
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Requisito de a ressurreição cristã manter simultaneamente a natureza espiritual e corpórea do corpo ressurreto, rejeitando visões de espíritos sem corpo como superstição.
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A ausência de uma divindade superior no céu, na natureza ou no pensamento exclui a aceitação da ordem estabelecida como algo perfeito.
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Rejeição da ideia de Leibniz sobre a perfeição da ordem e da busca por vestígios externos de Deus na natureza, sendo todas as intuições projeções da mente.
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Crítica severa de Blake a Wordsworth por atribuir à natureza o que pertencia à própria mente humana ao defender o ajuste mútuo entre o mundo externo e a mente.
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Transcrição do comentário de Blake recusando-se a crer no encaixe mútuo descrito nos versos de Wordsworth sobre a mente e o mundo externo.
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Preço de sufocar a imaginação para alcançar sentimentos de aceitação e obediência diante de uma natureza considerada cruel, sem propósito e sem amor.
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Degradação do homem sob a lei natural, obrigado a trocar a inteligência pela feracidade, a bondade pela luta pela sobrevivência e o amor pelo instinto reprodutor.
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Extensão da natureza morta e remota na observação dos corpos celestes no céu.
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Classificação do culto ao Sol por povos antigos na categoria de honestidade ignorante amada por Deus e pelo homem.
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Inabilidade de associar os céus remotos a sentimentos de amor ou reverência pertencentes a um Deus pessoal, atraindo o Deus impessoal apenas a servidão ou a resignação.
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Constatação de que as profundezas de crueldade humana superam a natureza, levantando questionamentos sobre as limitações do corpo físico no mundo.
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Contraste entre a pequenez dos sentidos humanos frente aos animais e o desejo de visão que supera os telescópios.
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Sentimento de vergonha diante das funções corporais expresso na menção de Blake sobre os lugares de alegria e amor serem excrementícios.
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Percepção do mundo visível como decaído diante da constatação de que o universo desejado pela imaginação é melhor e mais real.
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Vinculação das grandes visões artísticas à restauração do mundo não decaído, denominado paraíso na Bíblia e Idade de Ouro na Antiguidade Clássica.
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Transcrição da afirmação de Blake de que a natureza de seu trabalho é visionária e constitui um esforço para restaurar a Idade de Ouro.
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Identificação do fim da arte com a recuperação do paraíso bíblico onde o homem estava integrado a Deus e a natureza era sua propriedade em forma de jardim.
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Inclusão da queda do mundo físico na queda da mente humana devido à natureza mental de toda a realidade.
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Vinculação da queda do homem a uma queda em parte da própria natureza divina, conforme tradições gnósticas e de Boehme, evitando a contradição de derivar um mundo mau de um Deus bom.
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Conclusão de que a queda do homem e a criação do mundo físico foram o mesmo evento, servindo de chave para o simbolismo de Blake.
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Caracterização do homem na natureza como um espécime frágil diante de um cosmos indiferente quando destituído de imaginação.
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Dependência do objeto em relação à distorção do sujeito na definição da realidade como questão de perspectiva.
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Transcrição dos versos de Blake indagando se cada pássaro no céu não seria um imenso mundo de prazer fechado pelos cinco sentidos humanos.
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Atribuição do amor ao cão em contraste com o lobo devido à projeção da imaginação humana sobre o animal doméstico.
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Vitória imaginativa sobre a natureza exemplificada no treinamento de animais e no trabalho do artista que torna os objetos da visão inteligíveis.
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Aspiração por um mundo totalmente possuído pela imaginação onde rochas e nuvens sejam vivas, refletida no mito clássico da dríade.
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Transcrição da nota de Blake sobre as formas das coisas derivarem de seu gênio, chamado pelos antigos de anjo, espírito ou demônio.
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Interpretação das Metamorfoses de Ovídio como imagens da queda do homem devido ao processo inverso de criaturas humanizadas que se reduzem a objetos de percepção.
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Humanização do mundo à medida que a imaginação se expande, equivalendo ver as coisas criadas em Deus a vê-las criadas no Homem.
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Transcrição dos versos de Blake sobre grãos de areia, pedras, ervas, árvores, montanhas e mares serem homens vistos de longe.
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Correspondência do mundo decaído às Canções de Experiência e do mundo não decaído às Canções de Inocência.
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Atribuição de uma postura infantil e ingênua aos que habitam o estado de inocência na visão dos que estão imersos na experiência.
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Reconhecimento na criança de uma audácia imaginativa e da capacidade de transformar objetos que o adulto não pode abandonar sob o risco de mediocridade.
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Insuficiência da associação entre inocência e ingenuidade na descrição do Éden.
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Presença de seres de força gigantesca no mundo não decaído conforme mitos titânicos, dotados de visão capaz de penetrar os mistérios da terra e dos astros.
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Transcrição da descrição do titã Orc cujos olhos contraídos veem os segredos das montanhas e as coisas ocultas de Vala, e expandidos veem os terrores do Sol e da Lua.
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Integração em um corpo de vida superior nos momentos em que o homem se sente maior do que sabe, sendo esse corpo a totalidade da imaginação em Deus.
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Crença em corpos humanos maiores como nações ou cidades treated como pais ou mães por homens que não alcançam a ideia de Deus.
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Transcrição da proposta de Milton sobre uma comunidade dever ser como uma enorme pessoa cristã, na estatura de um homem honesto.
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Revelação dessas formas gigantescas como agregados humanos que inspiram lealdade no mundo terreno.
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Transcrição do relato de Blake sobre ver esses estados em sua imaginação, aparecendo como um único homem à distância e como multidões de nações de perto.
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Vinculação do grupo humano decaído ao gigante Albion no simbolismo de Blake, representando Adão o corpo físico ou o homem natural.
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Confinamento dos indivíduos em corpos opacos e separados após a queda da unidade de Albion.
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Rejeição da religião natural por Blake por meio da afirmação de que não existe religião natural, decorrente da recusa humana em aceitar a identidade entre Deus e o homem.
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Atribuição de toda religião à revelação ou apocalipse, cujo clímax na Bíblia destrói o tempo e elimina o mistério sob o símbolo da queima da grande meretriz.
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Destruição do universo físico na revelação de um novo céu e nova terra onde a floresta selvagem se torna um jardim.
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Transcrição dos versos proféticos de Blake sobre a terra despertando do sono para buscar seu criador e o deserto tornando-se um jardim manso.
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Substituição da fé no invisível pela visão face a face como fim da religião, limpando a visão humana através da destruição do universo físico.
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Caracterização da arte como o meio de revelação da religião por treinar a visão, sendo a Bíblia o grande código da arte por sua visão unificada da vida.
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Natureza apocalíptica do artista que habita o mundo espiritual sem esperar pela morte física.
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Transcrição dos versos de Wordsworth sobre as nuvens, a escuridão e a luz serem feições de uma mesma mente e caracteres do grande apocalipse.
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Extensão do princípio de Wordsworth por Blake para encontrar os símbolos da eternidade na experiência cotidiana.
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Transcrição dos versos de Blake sobre ver um mundo num grão de areia, um céu numa flor silvestre, segurar a afinidade na palma da mão e a eternidade em uma hora.
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Caracterização dessa percepção como um augúrio do estado paradisíaco não decaído conforme o título do poema Augúrios de Inocência.
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Vinculação da separação entre tempo e espaço à tentativa de separar a existência da percepção operada por Locke.
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Reconhecimento pelos artistas de que a percepção ocorre em um momento definitivo trazendo a qualidade do tempo, enquanto a existência em um corpo possui extensão espacial.
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Definição de cada ato da imaginação como um complexo tempo-espaço onde as categorias abstratas desaparecem.
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Significado de eternidade como categoria mental para perceber o mundo não decaído e não como tempo sem fim, e de afinidade como forma de percepção e não espaço infinito.
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Crítica à visão do filósofo lockiano que concebe a eternidade apenas como eliminação do tempo ou da extensão espacial, resultando no conceito de indefinido.
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Caracterização do tempo cronológico abstrato como uma fonte de ideias de destino e causalidade representada pelo símbolo da corrente.
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Definição do tempo como a misericórdia da eternidade por tornar toleráveis as condições do estado decaído devido à sua rapidez.
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Atribuição de limites ao tempo nas alegorias religiosas através de um início na criação e um fim no apocalipse.
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Rejeição da ideia de que antes da criação existia apenas solidão e caos, classificando-a como uma noção perniciosa.
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Transcrição da afirmação de Blake de que a eternidade e todas as coisas nela existem independentemente da criação, que foi um ato de misericórdia.
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Inadequação das ideias ortodoxas sobre o céu e o inferno por lidarem com o indefinido em vez de com o eterno.
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Dependência da salvação religiosa em relação à transcendência da visão temporal, sobrevivendo o homem como a forma total de seus atos imaginativos.
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Transcrição da frase de Blake sobre a eternidade estar apaixonada pelas produções do tempo, significando a permanência de cada vitória imaginativa ganha na terra.
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Permanência eterna do homem em virtude de sua percepção da eternidade, rejeitando visões de imortalidade que diluem o indivíduo na matéria ou na memória da posteridade.
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Aplicação dos mesmos princípios ao espaço, cuja infinitude linear sugere apenas a insignificância humana para o olho decaído.
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Definição do espaço real como o aqui eterno e do tempo real como o agora eterno da experiência pessoal.
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Revelação do universo exterior como a sombra de um homem eclipsado na visão do visionário.
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O espaço é definido como um estado de mente por Blake em oposição a Locke que afirmava virem as ideias do espaço para a mente.
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Caracterização do espaço como um baixo estado de mente para o homem decaído que contempla as ruínas de seu próprio colapso.
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Transformação do espaço em forma do que se cria nos estados mais elevados da mente conforme princípios derivados de Swedenborg.
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Transcrição do trecho sobre os dois sóis onde Blake afirma não contemplar a criação externa como parte de si, recusando a visão do Sol como moeda de ouro em favor de uma multidão celestial que clama pela santidade de Deus.
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Uso da metáfora da janela para a visão através do olho corporal e não com o olho.
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Divisão da imaginação em três níveis principais, correspondendo o mais baixo ao indivíduo isolado que gera abstrações na perda da distinção entre sujeito e objeto.
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Denominação do nível mais baixo pelo termo Ulro, identificado como o inferno de Blake cujos símbolos de esterilidade são rochas e areia.
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Denominação do mundo comum pelo termo Geração, caracterizado como um mundo duplo de sujeito e objeto ao qual apenas as plantas estão totalmente ajustadas, sendo chamado de vegetal.
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Divisão do mundo imaginativo em duas partes, expandindo os três mundos para quatro.
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Início da imaginação através de uma visão de beleza que limpa a percepção do universo, conforme a obra Séculos de Meditações de Traherne.
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Inclusão do amor sexual no estado paradisíaco como etapa para um despertar imaginativo na filosofia derivada do Banquete.
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Caracterização do amor e do maravilhamento como estágios de expansão que elevam o indivíduo para um mundo de amante e amado, constituindo um paraíso inferior.
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Definição da atitude final em relação ao visível como uma conquista mental oriunda da energia ativa, sendo o amor e o maravilhamento relaxamentos que geram receptividade e não as visões da arte.
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Classificação do renascimento do maravilhamento como uma revolta preliminar contra o mundo decaído que pode estacionar em uma alegria vaga.
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Resultado da perseverança da visão em conquista através da poesia e da pintura, situando o estado mais alto na união de criador e criatura denominado Éden.
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Denominação do paraíso inferior pelo termo Beulah, significando casada em referência à relação da terra com seu povo conforme Isaías.
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Simbolismo do Éden como uma cidade fogosa do sol espiritual, e de Beulah como o jardim do Gênesis onde os deuses caminham no resfriado do dia.
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Estrutura de Beulah como mundo triplo do amante, amado e criação mútua composta por pai, mãe e filho.
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Contenção dessas três esferas no Éden através da imaginação unificada simbolizada pelos quatro Zoas ou seres viventes ao redor do trono descritos por Ezequiel e João.
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Caracterização do Éden como um mundo quádruplo que se expande para o infinito.
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Transcrição dos versos de Blake sobre contemplar uma visão quádrupla em seu supremo deleite, tripla na noite de Beulah e dupla sempre, pedindo a Deus que livre os homens da visão única e do sono de Newton.
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A impossibilidade de encontrar Deus através do entendimento ou da vontade decorre de uma divisão baseada nas ficções do universo lockiano.
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Fundamentação da crítica na recusa da divisão entre entendimento e vontade como duas partes de uma antítese entre o ego e o mundo externo.
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Tendência dos defensores da cisão de repousar em uma filosofia da vontade ou da razão para unificar as ideias através da redução do problema da Geração para o mundo único de Ulro.
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Pressuposição de um grupo de que a vontade e a energia existem isoladas no vácuo, enquanto o outro assume o mesmo sobre a necessidade e a ordem estabelecida.
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