====== Machado de Assis ====== //BARBOZA, Jair. O náufrago da existência: Machado de Assis e Arthur Schopenhauer – Caricatura, paródia, tragédia e ética animal. São Paulo, SP: Editora UNESP, 2022.// A literatura realista machadiana, ao situar as suas personagens em cenário carioca, principalmente no período do Império brasileiro da segunda metade do século XIX — cuja classe abastada, pelo menos no seu estrato ilustrado, absorvia intelectualmente as últimas modas da cultura europeia —, aproveitou para aclimatar não só a filosofia schopenhaueriana, mas a filosofia em geral aos trópicos; e o fez num processo criativo cujo resultado amiúde provoca risos. Elevadas definições conceituais sobre o mundo e a vida caem em domínio reles, comezinho; daí um narrador machadiano dizer muito à vontade que “a metafísica da alma humana pode exemplificar-se numa laranja”. A filosofia, nesse cenário, perde a “condição de saber das causas primeiras ou das significações ocultas” e, frequentes vezes, passa a explicar coisas miúdas e comportamentos triviais.