Numa carta de março de 1954 a Édouard Coester, que solicitava permissão para musicalizar Waiting for Godot,
Beckett recusou respeitosamente, descrevendo o que está em jogo como uma fala cuja função é não tanto ter sentido quanto travar uma luta, pobre espera-se, contra o silêncio, e nele reconduzir.
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A tese e o estilo do Tractatus continuaram a envolver
Beckett, justamente na época em que Scott trabalhava com ele, sendo de perene relevância sua tentativa de delimitar de dentro as fronteiras da linguagem para urgir a prioridade e inexorabilidade do silêncio.
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Wittgenstein identificou a investigação ética com esse impulso irreprimível, que, disse aos membros do Círculo de Viena, aponta para algo, e o ensaio de Bachmann sublinha o apofatismo ético de Wittgenstein e seu impulso de atingir o limite.
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Num ensaio do Beiheft, Erich Heller observa que no Tractatus persiste a crença de que, mesmo numa região muito precisamente definida e estreitamente delimitada da compreensão humana, há uma correspondência, fundada na natureza do ser, entre a capacidade perceptual humana e a natureza intrínseca do mundo.
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Heller observa que, embora quase impossível de alcançar, essa correspondência se realiza na própria substância da linguagem, sendo na verdade o verdadeiro sentido da linguagem.
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Essa confiança numa linguagem inerente, mas permanentemente inacessível, para o ser motiva a resistência de
Beckett ao silêncio, enunciada em seu credo: “Siege laid again to the impregnable without.”