Herói

BLANCHOT, Maurice. L’Entretien infini. Paris: Gallimard, 1969.

O mito heroico não se apaga facilmente

O herói é um dom ambíguo concedido pela literatura antes de ela tomar consciência de si mesma

O surgimento do herói marca uma mudança nas relações com a natureza

O herói combate e conquista, mas sua origem gera contradições

Existem relações sombrias entre origem e começo, que o herói ajuda a conceber

Aquiles é o herói, mas Agamêmnon é o rei dos reis, e essa diferença coloca o herói à parte

O herói não é nada se não for glorioso, e a glória é o irradiar da ação imediata

O herói, homem ativo por excelência, deve seu ser apenas à linguagem

O livro de Serge Doubrovsky sobre Corneille ajuda a perguntar se o herói é o mestre

Nas tragédias de Corneille, o conjunto da obra fracassa e só diz o fracasso

O herói-mestre, nascido do nada, quer afirmar-se para além de si mesmo numa glória singular

A obra de Corneille se realiza na incerteza entre diferentes concepções de heroísmo

A morte recebe um sentido equívoco na tragédia corneliana

Na obra de Corneille, a morte às vezes cessa de ser puro esplendor para se tornar horror impuro

Em “Suréna”, Corneille se despede do mito, e o herói não sobrevive à descoberta da morte impura

O herói não morre, mas apenas sobrevive a si mesmo, o que é a pior ruína para o que pretende representar

Talvez não possa haver herói trágico, apenas a rapsódia épica convém a esse tipo de empreendimento

Literatura e heroísmo trocam seus dons durante séculos, sendo cúmplices e dupas uma da outra