Os problemas espirituais não podem ser abordados senão com o maior rigor e as precauções mais estritas — e os ocidentais, que conhecem sobretudo a charlataneria, possuem o traço particular de falar sem critério e crer, não obstante, na linguagem.
-
O que as palavras lhes aportam tem um sentido definido que reconhecem e que tentam organizar logicamente: diante de qualquer ensinamento místico, nunca se os poderia privar suficientemente de linguagem nem forçar ao silêncio — o único que pode dilacerá-los.
-
A lenda contada por Shânkara: interrogado por Vashkalin, Bâhva respondeu “Amigo, aprende a conhecer o Brahman” — e permaneceu silencioso. Vashkalin repetiu sua petição por segunda e terceira vez. Bâhva continuou calado. E ao final disse: “Em verdade, anunciei-te. Mas não queres compreender. Esse atman é: nada se diz, abisma-se no silêncio.”