As Ninfas são simulacros perigosos que tornam os homens nymphóleptoi (“possuídos pelas Ninfas”), uma forma de conhecimento metamórfico e possessão que os Gregos reconheciam como natural
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A maioria dos estudiosos modernos reduz as Ninfas à fertilidade, uma categoria vazia, mas a sua essência está no reino do Terrível (deinós)
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A possessão que vem das Ninfas é peculiar: Aristóteles (Ética a Eudemo) fala dos nymphóleptoi e theóleptoi, indivíduos tomados por uma particular “embriaguez” que experimentam uma felicidade súbita e disruptiva
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“Toda a psicologia homérica […] é atravessada de um cabo a outro pela possessão, se possessão é em primeiro lugar o reconhecimento de que a nossa vida mental é habitada por potências que a soberam e fogem a qualquer controlo, mas podem ter nomes, formas, perfis”
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Toda paixão era para os Gregos a prova da ação de um deus e um modo de conhecimento metamórfico: “um conhecimento que é um páthos”
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Theóleptos (“ser tomado” pelo deus) e theóplektos (“ser golpeado” pelo deus) correspondem aos dois modos das epifanias eróticas de Zeus: o rapto e o estupro
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“Escrever é o que, como o eros, faz oscilar e torna porosas as paredes do eu”
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As Ninfas deram de presente a Apolo as “águas mentais” (Porfírio), e Festo (De verborum significatu) relata que delira quem vê a imagem da Ninfa emergir da água
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As Ninfas são “familiar pronta para as núpcias” e “pola de água”; “Nada é mais terrível, nada é mais precioso, do que o saber que vem das Ninfas”
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O poeta corre o risco de confundir o verdadeiro com os seus eídola, mas Platão no Fedro reconhece que “os maiores bens nos provêm de uma manía que nos é concedida por dom divino” e que “a manía que provém de um deus é melhor do que a temperança que provém dos homens”
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O oráculo de Apolo para Telefo (“Quem feriu, curará”) aplica-se à literatura: o único modo de não sucumbir à manía é o próprio delírio