Finnegans Wake

CAMPBELL, Joseph. Mythic worlds, modern words: on the art of James Joyce. Edited by Edmund L. Epstein. Novato: Joseph Campbell Foundation: New World Library, 2003

Introdução ao Finnegans Wake

* Abordagem do livro parte da descrição de imagens-chave do processo esquizofrênico de John Weir Perry, que também fundamentam as grandes obras de Joyce.

* O segundo motivo é o do outsider que busca estabelecer um novo centro, como Stephen ao voar nas asas da arte.

* As experiências resolutoras, o terceiro motivo, são apresentadas como apoteose: a experiência de si mesmo como a divindade da qual tudo provém.

* Desse motivo de realização (que ocorre no abismo) surge o motivo do novo nascimento, a aurora de uma nova sociedade e a imagem de um mundo quadripartido.

* Jung fala dessa imagem quadripartida como o psiquismo totalmente funcional, com as quatro funções psicológicas disponíveis para o indivíduo.

* Joyce levou o leitor através dos infernos, onde os pequenos egos se defendem, e o inicia no movimento em direção à chegada do amor contra o controle no meio do *Ulisses*.

* Joyce amalgama em um grande sistema arquetípico toda uma gama de mitologias: sistemas mesopotâmicos, clássicos, hebraicos, egípcios, primitivos, celtas, germânicos e orientais.

Oposição Arquetípica

* A grande díade arquetípica em *Finnegans Wake* é pai/mãe: Humphrey Chimpden Earwicker (HCE) e Anna Livia Plurabelle (ALP).

* O nome do herói é Humphrey Chimpden Earwicker: “Hump” (corcunda) sugere uma colina, o promontório de Howth, que se projeta no mar ao norte de onde Anna flui.

* O gigante que dorme na paisagem irlandesa se chama Finn, que pode ser comparado ao deus hindu Vishnu, que dorme na grande serpente Ananta.

* No hinduísmo, o princípio ativador (Shakti) é a energia feminina; o quiescente é o masculino. O homem, que quer ser deixado sozinho e quieto, é acordado para a ação pela passagem da mulher.

O Sonho

* *Finnegans Wake* é escrito no nível do sonho, e a perspectiva é a da consciência onírica, ecoando Calderón (“A vida é sonho”) e Shakespeare (“somos da matéria com que os sonhos são feitos”).

* Finnegan, o pai, a figura central do *Wake*, é o sonhador do mundo que sonha através de todos.

* Um sonhador humano tem duas ordens de sonho, segundo Jung: o pessoal e o coletivo.

* O pessoal e o coletivo são os dois níveis do sonho: o momento histórico mutável e o processo arquetípico eterno comum a todos.

As Gaieties Hereweareagain (Alegrias Estamos Aqui Novamente)

* O ciclo “riverrun”, o fluxo do rio do tempo (vir a ser do mundo e seu deixar de ser), é chamado por Joyce de “Hereweareagain Gaieties” e “Royal Revolver”.

* O Livro I (oito capítulos) trata do caráter do herói como aparece aos outros, correspondendo à idade dos patriarcas de Vico (idade de ouro).

* Na Índia hindu, esse vórtice é representado cosmicamente pelos quatro “yugas” (idades mundiais), que correm em um ciclo descendente até o “kali” (discórdia), quando tudo termina em mush e deve ser restaurado.

* Ovídio fala nas *Metamorfoses* desse sistema de desintegração no abismo como uma situação onde os pares de opostos não são mais distinguidos, pois o mundo só vem a ser quando as distinções surgem.

* O conceito de retorno eterno é a inspiração do livro: cada momento vivido voltará infinitamente, sendo um momento eterno que se repetirá inúmeras vezes.

A Queda de Finnegan

* O número “1132” percorre todo o *Wake* como o número da queda e da renovação (32 pés por segundo por segundo como velocidade de queda e 11 como renovação da década).

* A queda no Jardim do Éden dá início a tudo; todo o mundo da vida é baseado nessa queda, sem a qual não haveria tempo, nem morte e nascimento.

* Joyce retrata esse gigante pecaminoso na imagem de Finnegan, baseado em uma canção de vaudeville irlandesa-americana chamada “Finnegan’s Wake”.

* Os amigos encontram Finnegan no fundo da escada, o levam para casa para seu velório, e durante o velório, alguém joga uma garrafa de uísque que derrama sobre seu corpo, fazendo-o pular e tentar dançar.

* HCE é um taverneiro que serve “espíritos” (spirits) em Chapelizod, onde Isolde viveu e Tristan a buscou para o Rei Marco, com o motivo do complexo de Édipo (pai, sobrinho/filho e jovem esposa).

* Além da família, há alguns personagens menores: um velho que ajuda no bar e Kate the Slop, a criada que está na casa para sempre.