Em MacDonald, a transformação corporal da princesa ocorre no início do conto, com ênfase na inocência da vítima, e toda a narrativa depende dessa metamorfose.
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A perda da gravidade torna a princesa “outra”, estranhada de seus pais e das emoções normais, ausente apesar de sua presença.
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A reação do rei, incluindo a tentativa de açoitar a princesa, ecoa os meios historicamente atestados de banir um changeling (criança trocada pelas fadas), sugerindo que ele pode acreditar que sua filha verdadeira foi levada.
“ESPÍRITO MAIS PROFUNDO”: LANG, MACDONALD E O PROPÓSITO DOS CONTOS DE FADAS
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Tolkien notou a “qualidade estranha e mítica de conto de fadas” em “Prince Prigio”, contrastando a alegoria mítica com o “sorriso de meia-zombaria” superficial.
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Abaixo da superfície frívola do “conte” satírico jaz o “espírito mais profundo” do Lang romântico, que aparece no clímax do conto, quando Prigio aprende a acreditar em fadas e magia.
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Acreditar em fadas e dons de fadas, argumenta Lang, é essencial para que Prigio desperte romanticamente para o amor e se torne o herói.
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Lang argumenta que a magia dos contos de fadas está em sua expressão dos elementos não racionais da vida humana, sugerindo que há uma espécie de magia no mundo que torna os contos de fadas necessários.
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Em sua introdução a “The Red Fairy Book”, Lang afirma que os contos de fadas despertam o amor pela leitura e abrem a porta para um país das fadas “não da ciência, mas da fantasia”.
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Lang sugere que os contos de fadas sobreviverão quando a ciência e as filosofias tiverem ruído e desaparecido.
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MacDonald, em “The Fantastic Imagination”, afirma que o objetivo do escritor não é a convicção lógica, mas mover por sugestão, causar imaginação, assaltando a alma do leitor como o vento assalta uma harpa eólica.
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As imagens e padrões do conto afetam a imaginação musicalmente, não por explicação.
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A forma de “The Light Princess” é em si uma oclusão, com uma história mais sombria e primitiva sob o véu da frivolidade thackerayiana.
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O clímax de “The Light Princess” combina imagens eróticas e eucarísticas, com a princesa e o lago misticamente unidos, e a princesa encontrando sua identidade não na sociedade humana, mas em um relacionamento elementar com o lago.
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A princesa, não o príncipe, é a verdadeira heroína do conto de fadas, sendo sua a história.
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É a princesa quem dispensa a eucaristia, preenchendo o papel sacerdotal, e quem empreende a busca, sacrificando-se para libertar as águas e recuperar sua identidade e equilíbrio.
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MacDonald alcançou algo muito diferente de Thackeray e Lang. Thackeray via o conto de fadas literário como uma piada elaborada, e Lang como uma herança cultural romântica a ser preservada.
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Para MacDonald, o conto de fadas literário era uma forma de arte espiritual que poderia iniciar seus leitores mais profundamente no mistério.
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“The Light Princess” utiliza a tradição popular do folclore para produzir uma obra que parece uma bagatela frívola, mas que na verdade é profunda e comovente.