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novalis:2004:eu-e-nao-eu

Diálogo entre eu e não-eu

21. Existem em nós certas reflexões que parecem muito diferentes das demais, pois vêm acompanhadas da sensação de necessidade, embora nenhuma razão externa as justifique. O homem tem a sensação de estar envolvido em um diálogo e de ser maravilhosamente instigado por algum ser espiritual e desconhecido a desenvolver os pensamentos mais evidentes. É necessário que esse ser seja de natureza espiritual, pois a relação que ele mantém com o homem não pode ser obra de um ser fenomênico — ele deve ser homogêneo ao homem, pois o trata como um ser espiritual e muito raramente o exorta à autoatividade. Esse Eu de natureza superior se relaciona com o homem da mesma forma que este se relaciona com a natureza, ou o sábio com a criança. O homem aspira a se assemelhar a ele, da mesma forma que procura fazer com que o N-M se assemelhe a si mesmo.

Esse fato é indemonstrável. Cada um deve vivenciá-lo por si mesmo. É um fato de natureza superior que somente o homem superior irá encontrar. Mas os homens devem se esforçar para produzi-lo em si mesmos. A ciência que daí resulta é o D da S superior. A parte prática contém a autoeducação do Eu, permitindo essa troca — a parte teórica — os critérios de uma troca autêntica. Os ritos fazem parte da educação.

Em Fichte, a parte teórica compreende os critérios de uma representação verdadeira — a parte prática compreende a educação e a formação do N-M, que deve permitir influenciar verdadeiramente o Eu e estar verdadeiramente em comunhão com ele — a autoeducação paralela do Eu. A moralidade pertence, portanto, aos dois mundos; aqui, como finalidade — ali, como meio — e é o elo que os articula.

22. Filosofar é esse diálogo consigo mesmo, mencionado acima — uma autêntica autorrevelação — a agitação do eu real por meio do Eu ideal. A filosofia está na base de todas as outras revelações. A decisão de filosofar provém de uma exortação do eu real para que se reflita, desperte e se torne espírito. Sem filosofia, não há moralidade autêntica; e sem moralidade, não há filosofia.

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